Avançar para o conteúdo principal

O tempo, esse impiedoso que é tudo para nós, mas que nos escapa com a rapidez do vento

Vivemos numa era em que tudo parece acontecer depressa demais. Acordamos com o despertador a gritar urgência, corremos para cumprir prazos, tarefas, compromissos. Mal abrimos os olhos e já estamos a pensar no que vem a seguir. A vida virou uma maratona constante — uma corrida contra o tempo que, paradoxalmente, nunca diminui o ritmo, apenas acelera.

Dizemos que não temos tempo. Que faltam horas no dia, que a semana voou, que o ano já está a meio e mal demos por isso. Mas o tempo está lá, sempre esteve. A verdade é que, ocupados demais com o que achamos ser urgente, deixamos escapar o que realmente importa: um café com calma, uma conversa sem relógio, um silêncio que não precise ser preenchido.

Estamos tão focados em fazer, produzir, concluir, que nos esquecemos de simplesmente estar. O tempo não espera por ninguém, e quanto mais tentamos controlá-lo, mais ele nos escapa. É como areia fina entre os dedos — quanto mais apertamos, mais rápido se vai.

Talvez a maior sabedoria seja aprender a parar. A dar valor ao agora, mesmo que seja breve. Porque no fim, o que vamos lembrar não são as tarefas riscadas na agenda, mas os pequenos momentos em que o tempo parecia desacelerar — um abraço, um pôr do sol, uma gargalhada inesperada.

O tempo é curto, sim. Mas dentro dele cabem muitas vidas, se soubermos vivê-las.

E porque o Tempo é tão precioso e nos escapa tão rápido, deixo-vos o poema "Tempo, vai com calma…" que foi publicado na coletânea de poemas "Todo o Sal do Mar" obra editada pela Cordel de Prata, neste ano de 2025.



Tempo, vai com calma…

Porque andas tão apressado

E nos fazes andar stressados

Que até nos dói a alma?

Tempo, vai com calma…

Porquê tanta agitação

Que nos faz andar cegamente,

Viver intensamente e sentir pouca emoção

Nas coisas que acontecem ao nosso redor?

Tempo, vai com calma…

Faz-nos apreciar cada momento,

Sentir a brisa do vento,

Ao invés de um nevoeiro cinzento.

Tempo, vai com calma…

E faz-nos ouvir os pássaros a chilrear,

Sentir os bons Prazeres da vida

Em vez da nossa vida balançar

Em constante corrida.

Tempo, vai com calma…

Deixa a vida a fluir

Sem dor

E a Natureza a seguir

No seu esplendor.

Tempo, vai com calma…


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quando o céu de Coruche adia as estrelas de fogo

Escrevo estas linhas num verão marcado por um calor extremo e por incêndios devastadores que assolam vários pontos do país. Vivemos dias de alerta máximo, e é neste contexto que se aproximam, a passos largos, as tradicionais e mais sonantes Festas de Coruche, em honra da nossa Padroeira, Nossa Senhora do Castelo. Festas de alma antiga, que conhecem o compasso do tambor e o perfume das ruas cheias. Este ano, a realidade impôs mudanças. Com o risco extremo de incêndio, todas as atividades que possam originar faíscas ou focos de incêndio estão expressamente proibidas. Isso significa que algo inédito irá acontecer — pelo menos para mim que, desde que me conheço por gente e desde que acompanho estas festas — o célebre e majestoso fogo de artifício não se realizará no habitual dia 14 de agosto, cuja noite não se vestirá de luzes a estalar no céu.   O fogo de artifício, aquele que desde sempre coroou a festa com um abraço de faíscas e cor, ficará guardado mais um dia, respeitando o silênc...

O sol que nasceu depois da tempestade

Há datas que não nos dizem nada, mas há outras que não são apenas mais um dia no calendário. Há datas que são muito especiais e que são marcos de uma transformação profunda nas nossas vidas.  Hoje, a minha Maria Beatriz celebra mais um ano de vida e, ao olhar para trás, é impossível não recordar o caminho que percorremos até aqui. Dizem que depois da tempestade vem a bonança, mas para nós, a bonança trouxe um nome, um sorriso e uma força contagiante. Ver a Bia crescer, com toda a sua doçura, a sua "teimosia" tão própria e essa personalidade que se afirma a cada dia, é o maior privilégio da minha vida, da nossa vida, da nossa família. Este poema que partilho hoje com vocês é mais do que um conjunto de versos, é o meu coração entregue à folha de papel. É uma homenagem à bebé que vi nascer e à mulher que vejo florescer. Parabéns, "minha" Bia! Depois da tempestade Vem a bonança E tu, meu Amor Vieste mostrar-nos o caminho da felicidade Encher os nossos corações de Espera...

Memórias da Nacional 2 – parte I

Hoje estou aqui para partilhar convosco a nossa experiência pela Nacional 2, de moto, decorrida no ano de 2023. Muitos de vós sonham em percorrer a “mítica” N2, outros possivelmente já o fizeram. E existem inúmeras possibilidades de planear esta viagem e de a concretizar. No nosso caso, meu e do meu marido, optamos por ir só os 2. E como moramos relativamente perto, optamos por começar esta aventura partindo da localidade de Mora e seguir rumo ao norte, até ao quilómetro zero, em Chaves. Com a preparação da viagem não perdemos muito tempo, não foi muito meticulosa, mas, obviamente que, antes de iniciarmos uma viagem como esta, há que verificar se está tudo bem, se tudo está em conformidade relativamente à moto (pneus, travões, luzes combustível…), para podermos viajar em segurança. Escolhemos uma ou duas mudas de roupa essenciais e práticas, produtos de higiene e documentos, casaco motard e capacete e… bora lá partir à aventura! Em Mora iniciamos a aventura pela N2, depois da foto da p...