Julho chega, e com ele, o calor do verão que aquece a alma daqueles que têm a sorte de chamar Vila Nova da Erra de "casa", mesmo que só por uns dias. É nesta altura que a nossa terra se veste de cor, de fé, de música e de emoção, para celebrar com orgulho e devoção as tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora do Vale.
Este é um momento que vai muito além da animação ou dos espetáculos, é o reencontro com as raízes, com os vizinhos, com os amigos de infância e até com quem já há muito partiu, mas regressa nesta altura, religiosamente, todos os anos. É tempo de agradecer, de recordar e de viver intensamente cada instante.
Como homenagem sentida a todas as Comissões de Festas que, ao longo dos anos, deram o seu melhor para manter esta tradição viva, partilho convosco um poema que traduz, de forma simples mas verdadeira, o espírito único das Festas da Erra. Que ele vos faça sorrir, recordar e, acima de tudo, sentir orgulho nesta terra que sabe tão bem celebrar a vida.
Julho é mês de Verão
Mês de fé e devoção
Chegam as festas da nossa terra
As festas de Vila Nova da Erra.
De tradição bem secular
É tempo de enfeitar,
Pôr as ruas a brilhar,
As paredes caiar,
A Comissão de Festas ajudar
Com o melhor que se tem para ofertar.
Durante quatro dias nesta terra
Ninguém quer dormir
Há animação noite e dia sem despegar
Até à alvorada despontar.
Ao cabeço querem subir
Depois de beber até cair,
E é com cada “cadela”,
Mas no fim, só um a pode ganhar,
A tão cobiçada camisola amarela.
Vários espetáculos são apresentados
Com artistas conhecidos
Enquanto alguns estão sentados
Outros conversam com os amigos.
E para quem gosta de apostar
E sorte ao jogo acha que merece
Também existe um bazar,
A tão conhecida quermesse.
Esta festa a ninguém desilude
Começa à sexta-feira com o dia da juventude.
Às vezes é dia calmo, outras nem por isso
Se tiveres fome, come um pão com chouriço
E se achares que não chega e te der secura
Bebe umas imperiais e vai mais uma fartura.
Sábado é o segundo dia
Ao qual ninguém diz não
Junta-se a noite com o dia
Tal não é a animação.
É o dia do fogo, pela certa,
Dia de foguetes no ar
E todos, de boca aberta,
Para o ar ficam a olhar,
Até quem é dos arredores desta terra,
Pois não há fogo c’mo da Erra.
Domingo é o Dia da Padroeira
E como ela não há igual
É a Nossa Senhora do Vale
E junto com o orago São Mateus,
Abençoam o seu povo,
Do mais velho ao mais novo,
Que, de coração a rezar
E fé no olhar,
Pedem proteção,
para si e para os seus,
com bastante emoção.
Segunda-feira é o último dia de festa
É dia do Trabalhador
É dia de glorificar
Os que tudo fazem com Amor,
Com Dedicação e Bravura.
Mas que festa esta,
Rija c’mo catano,
Que antes de todos se irem embora
E de dizerem: “Adeus, até pró ano”,
Ainda é tempo de subirem ao tabuado
As gentes que representam os tempos de outrora
Que, com as suas modas e cantares,
Ao som dos acordeões,
Nos fazem voltar ao passado,
Recriando as suas memórias e tradições,
Identidade da sua cultura!
Mas nesta terra
Enquanto houver coração,
Pão, vinho e paixão
Haverá festa em Vila Nova da Erra,
Com alegria, fé e tradição!

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