Avançar para o conteúdo principal

Agosto na Alma, Coruche no Coração




Coruche, vila ribatejana de alma vibrante e raízes profundas, começa a encher-se de cor, fé e tradição durante este mês de agosto.

As Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo estão a começar e são o ponto alto do ano, onde se cruza a devoção à padroeira com a celebração da identidade coruchense, feita de campo, touros, música e união.

O poema que aqui vos trago, nasce do coração dessa terra e homenageia, em verso, o espírito das gentes, os momentos vividos e a emoção que transforma Coruche numa vila de encanto, especialmente quando agosto se acende em festa.

Se ainda não veio ou conhece a vila de Coruche, agosto é o mês perfeito para conhecer o que de melhor Coruche tem para oferecer: festas, pratos gastronómicos, tauromaquia, fé e devoção, cultura e tradição do nosso povo que muito nos honra.

Aproveite! Visit Coruche

Coruche, vila de encanto,
Onde a lezíria do Sorraia
Sob o olhar do céu se estende como um manto,
que dá cor, dá vida, dá alegria,
E o seu traço urbano transmite paz e harmonia

Nesta vila existe um rio azul,
Que abraça os campos num gesto subtil.
Corre sereno, guarda o segredo,
Do povo valente, sem medo e sem ego.

Terra de touros e toureiros,
De gente humilde, forte e de verdadeiros obreiros.
Mas não me venham com galanteios,
Não me tentem dobrar por certos meios,
Nem pelo meu feitio puxes,
Quem com gente de Coruche se mete
Arrisca-se a levar um frete,
Da-se que é de cruxe!

Do alto da colina ergue-se o castelo, imponente,
Testemunha de lutas entre cristãos e infiéis combatentes.
Hoje, símbolo de fé e devoção,
Referência maior no coração da população
É local imperioso
Pelo seu simbolismo religioso.

Gente de Coruche tem fé verdadeira,
E rende homenagem à sua padroeira
Nossa Senhora do Castelo,
Rainha da vila, do povo, de valor muito belo.

O ponto alto da terra, digo-o sem fantasia,
São as Festas do Castelo, que duram noite e dia.
A 6 de agosto, começam as novenas
Orações, cantos, promessas serenas.
Até ao dia 15, a fé não esmorece,
Culmina com a procissão que tudo enobrece.

Promessas são feitas, orações são ditas,
Mãos se erguem, almas benditas.
Subindo à Ermida, passo a passo,
Cada olhar leva fé, cada promessa tem laço.

No dia 14, o povo rejubila,
Começam as festas populares por toda a vila.
É o Dia do Fogo, noite resplandecente,
Com um mar de luzes sobre um mar de gente.

No dia 15, é feriado e sagrado,
É dia de missa, de promessa e de fado.
Milhares sobem à Ermida, com emoção no olhar,
Cumprindo promessas, vêm Nossa Senhora honrar.
De tarde, a secular procissão percorre a vila em devoção,
E a todos abençoa com calor no coração.
À noite, brinda-se ao Festival de Folclore António Neves
Símbolo de memória e tradição,
Um ponto alto da nossa cultura
Um orgulho da nossa população.

O dia 16 traz calmaria e riso,
É o Dia do Aficionado, com sabor preciso.
Toureios e largadas, festa nas ruas a vibrar,
E a malta das tertúlias, com o copo na mão a desfilar.

A 17, Feriado Municipal com razão,
Celebra-se o Campino do Sorraia com Coração.
O cortejo histórico e etnográfico enche a vila de cor,
Trazendo às ruas os usos e costumes de outrora

À tarde, a tourada traz emoção e fervor

Com jaquetas a brilhar

E o público a aplaudir

À noite, depois de jantar

E antes de irmos dormir

Há mais animação pela vila fora.

O dia 18 marca o fim da romaria,
É o Dia da Juventude, mas ninguém parte em agonia.
Concertos, surpresas, artistas convidados,
Uns da terra, outros ‘bem’ contratados.
É festa para o jovem, é festa para o velho,
É festa para quem canta e para quem carrega o espelho.
Da festa que nasce da alma, da fé, da tradição,
É festa que aquece o corpo e ilumina o coração.

As crianças riem nas atividades planeadas,
E nas tasquinhas, as iguarias são bem regadas.
Entre risos, danças, fé e tradição,
As Festas do Castelo marcam o verão!

Quando o fogo se apaga e a música se cala,
Fica no peito a chama que nunca se abala.
Coruche não é só lugar, é sentido e direção
É vila de festa, de fé e de coração.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quando o céu de Coruche adia as estrelas de fogo

Escrevo estas linhas num verão marcado por um calor extremo e por incêndios devastadores que assolam vários pontos do país. Vivemos dias de alerta máximo, e é neste contexto que se aproximam, a passos largos, as tradicionais e mais sonantes Festas de Coruche, em honra da nossa Padroeira, Nossa Senhora do Castelo. Festas de alma antiga, que conhecem o compasso do tambor e o perfume das ruas cheias. Este ano, a realidade impôs mudanças. Com o risco extremo de incêndio, todas as atividades que possam originar faíscas ou focos de incêndio estão expressamente proibidas. Isso significa que algo inédito irá acontecer — pelo menos para mim que, desde que me conheço por gente e desde que acompanho estas festas — o célebre e majestoso fogo de artifício não se realizará no habitual dia 14 de agosto, cuja noite não se vestirá de luzes a estalar no céu.   O fogo de artifício, aquele que desde sempre coroou a festa com um abraço de faíscas e cor, ficará guardado mais um dia, respeitando o silênc...

O sol que nasceu depois da tempestade

Há datas que não nos dizem nada, mas há outras que não são apenas mais um dia no calendário. Há datas que são muito especiais e que são marcos de uma transformação profunda nas nossas vidas.  Hoje, a minha Maria Beatriz celebra mais um ano de vida e, ao olhar para trás, é impossível não recordar o caminho que percorremos até aqui. Dizem que depois da tempestade vem a bonança, mas para nós, a bonança trouxe um nome, um sorriso e uma força contagiante. Ver a Bia crescer, com toda a sua doçura, a sua "teimosia" tão própria e essa personalidade que se afirma a cada dia, é o maior privilégio da minha vida, da nossa vida, da nossa família. Este poema que partilho hoje com vocês é mais do que um conjunto de versos, é o meu coração entregue à folha de papel. É uma homenagem à bebé que vi nascer e à mulher que vejo florescer. Parabéns, "minha" Bia! Depois da tempestade Vem a bonança E tu, meu Amor Vieste mostrar-nos o caminho da felicidade Encher os nossos corações de Espera...

Memórias da Nacional 2 – parte I

Hoje estou aqui para partilhar convosco a nossa experiência pela Nacional 2, de moto, decorrida no ano de 2023. Muitos de vós sonham em percorrer a “mítica” N2, outros possivelmente já o fizeram. E existem inúmeras possibilidades de planear esta viagem e de a concretizar. No nosso caso, meu e do meu marido, optamos por ir só os 2. E como moramos relativamente perto, optamos por começar esta aventura partindo da localidade de Mora e seguir rumo ao norte, até ao quilómetro zero, em Chaves. Com a preparação da viagem não perdemos muito tempo, não foi muito meticulosa, mas, obviamente que, antes de iniciarmos uma viagem como esta, há que verificar se está tudo bem, se tudo está em conformidade relativamente à moto (pneus, travões, luzes combustível…), para podermos viajar em segurança. Escolhemos uma ou duas mudas de roupa essenciais e práticas, produtos de higiene e documentos, casaco motard e capacete e… bora lá partir à aventura! Em Mora iniciamos a aventura pela N2, depois da foto da p...