Avançar para o conteúdo principal

Carnaval de Sempre


O Carnaval é, por tradição, um tempo de alegria, criatividade e liberdade. Na Erra, o desfile organizado pela Comissão de Festas da Erra 25/26 foi exemplo disso mesmo: comunidade unida, fantasias coloridas, música e sorrisos a encher as ruas. Mais do que um evento festivo, foi a afirmação de um espírito coletivo que resiste ao tempo e às dificuldades.

Este ano, porém, nem todas as localidades puderam celebrar da mesma forma. Em muitas zonas do país, os desfiles foram cancelados devido ao temporal que se fez sentir, lembrando-nos que a natureza também dita o ritmo das nossas tradições. Ainda assim, o Carnaval não se resume aos grandes corsos ou aos carros alegóricos. Nas zonas mais rurais e marcadamente tradicionais, a festa sempre viveu de forma mais espontânea e genuína.

Recordam-se as “caqueiradas”, as brincadeiras típicas em que vizinhos e amigos pregavam partidas saudáveis uns aos outros, e o chamado Carnaval trapalhão, feito de improviso, máscaras simples e muita boa disposição. Eram celebrações menos organizadas, mas profundamente autênticas, onde o riso nascia da criatividade popular e do convívio porta a porta.

Talvez seja essa a maior reflexão que o Carnaval nos oferece: independentemente do formato — seja um desfile bem estruturado ou uma brincadeira improvisada — o que realmente importa é o encontro, a partilha e a capacidade de, por alguns dias, deixarmos para trás as preocupações e celebrarmos juntos. Mesmo quando o mau tempo obriga a cancelar planos, o espírito carnavalesco encontra sempre forma de sobreviver, reinventando-se nas tradições e na memória coletiva.

Carnaval de Sempre

Chega o riso pelas ruas antigas,
de máscara posta e alma solta no ar,
é tempo de esquecer as fadigas,
é tempo de brincar sem julgar.

É o velho carnaval trapalhão,
feito de tropeços e gargalhadas,
de improviso, cor e confusão,
de partidas leves e bem-humoradas.

Porque no Carnaval ninguém leva mal,
diz o povo com sabedoria,
entre a crítica e o gesto teatral
há liberdade e folia.

Homens disfarçados de mulheres,
mulheres vestidas de homens,
trocam-se papéis, trocam-se poderes,
reinventa-se o mundo na imaginação.

E no auge da noite animada,
arde a chama na tradição
na queima do compadre e da comadre
purifica-se a alma da população.

Queimam-se mágoas, risos contidos,
pecados velhos, conversa fiada,
entre aplausos e versos atrevidos
a aldeia inteira fica renovada.

E quando a quarta-feira chegar,
fica a saudade no olhar:
porque o Carnaval é mais que fantasia
é o povo inteiro a celebrar. 🎭

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quando o céu de Coruche adia as estrelas de fogo

Escrevo estas linhas num verão marcado por um calor extremo e por incêndios devastadores que assolam vários pontos do país. Vivemos dias de alerta máximo, e é neste contexto que se aproximam, a passos largos, as tradicionais e mais sonantes Festas de Coruche, em honra da nossa Padroeira, Nossa Senhora do Castelo. Festas de alma antiga, que conhecem o compasso do tambor e o perfume das ruas cheias. Este ano, a realidade impôs mudanças. Com o risco extremo de incêndio, todas as atividades que possam originar faíscas ou focos de incêndio estão expressamente proibidas. Isso significa que algo inédito irá acontecer — pelo menos para mim que, desde que me conheço por gente e desde que acompanho estas festas — o célebre e majestoso fogo de artifício não se realizará no habitual dia 14 de agosto, cuja noite não se vestirá de luzes a estalar no céu.   O fogo de artifício, aquele que desde sempre coroou a festa com um abraço de faíscas e cor, ficará guardado mais um dia, respeitando o silênc...

O sol que nasceu depois da tempestade

Há datas que não nos dizem nada, mas há outras que não são apenas mais um dia no calendário. Há datas que são muito especiais e que são marcos de uma transformação profunda nas nossas vidas.  Hoje, a minha Maria Beatriz celebra mais um ano de vida e, ao olhar para trás, é impossível não recordar o caminho que percorremos até aqui. Dizem que depois da tempestade vem a bonança, mas para nós, a bonança trouxe um nome, um sorriso e uma força contagiante. Ver a Bia crescer, com toda a sua doçura, a sua "teimosia" tão própria e essa personalidade que se afirma a cada dia, é o maior privilégio da minha vida, da nossa vida, da nossa família. Este poema que partilho hoje com vocês é mais do que um conjunto de versos, é o meu coração entregue à folha de papel. É uma homenagem à bebé que vi nascer e à mulher que vejo florescer. Parabéns, "minha" Bia! Depois da tempestade Vem a bonança E tu, meu Amor Vieste mostrar-nos o caminho da felicidade Encher os nossos corações de Espera...

Memórias da Nacional 2 – parte I

Hoje estou aqui para partilhar convosco a nossa experiência pela Nacional 2, de moto, decorrida no ano de 2023. Muitos de vós sonham em percorrer a “mítica” N2, outros possivelmente já o fizeram. E existem inúmeras possibilidades de planear esta viagem e de a concretizar. No nosso caso, meu e do meu marido, optamos por ir só os 2. E como moramos relativamente perto, optamos por começar esta aventura partindo da localidade de Mora e seguir rumo ao norte, até ao quilómetro zero, em Chaves. Com a preparação da viagem não perdemos muito tempo, não foi muito meticulosa, mas, obviamente que, antes de iniciarmos uma viagem como esta, há que verificar se está tudo bem, se tudo está em conformidade relativamente à moto (pneus, travões, luzes combustível…), para podermos viajar em segurança. Escolhemos uma ou duas mudas de roupa essenciais e práticas, produtos de higiene e documentos, casaco motard e capacete e… bora lá partir à aventura! Em Mora iniciamos a aventura pela N2, depois da foto da p...