Avançar para o conteúdo principal

A Fé que nos Move

Ao longo da minha ainda curta vida, chegando aos meses de abril e maio, sempre ouvi falar de grupos de pessoas que se juntavam para caminhar a pé até Fátima.

Os motivos eram vários: por promessa, pelo companheirismo, pelo convívio e pela partilha que se vive e, principalmente, por Fé.

Uma das grandes questões apontadas quando este tema era abordado no seio familiar, por ser um desafio que requer sacrifício e resiliência, era precisamente o tipo de promessa que podemos ou temos de fazer em horas de aflição e se seremos realmente capazes de a concretizar.

Fui crescendo, ouvindo partilhas de experiências de pessoas que regularmente, ou em algum momento das suas vidas, conseguiram concretizar o desafio de fazer a peregrinação a Fátima e, a verdade é que, sabendo que é um desafio duro e difícil, nunca fechei a porta a essa possibilidade na minha mente.

A realidade é que, mediante a convivência regular com pessoas amigas que todos os anos fazem peregrinação, a ideia, a vontade e o desejo de embarcar numa experiência que me fizesse sair da minha zona de conforto começaram a crescer cada vez mais, embora a dúvida persistisse sempre na minha cabeça: será que conseguiria concretizar este objetivo e chegar até ao Santuário de Fátima?

Desta forma, 2026 está a ser um ano de verdadeiras provações e esta foi também uma provação a mim mesma e àquilo de que somos verdadeiramente capazes. O impossível só se torna concretizável se, na nossa mente, dermos força a essa possibilidade. Sem nos desafiarmos, sem sairmos da nossa zona de conforto, sem acreditarmos verdadeiramente nas nossas capacidades e naquilo que somos capazes de fazer, nunca saberemos aquilo que conseguimos aguentar.

Mas não posso terminar este texto sem fazer um agradecimento especial a quem teve o ímpeto final de me pôr a dar aos sapatos nesta caminhada: ao Senhor Hélder Ramos, meu marido, amigo e confidente, que também foi carro de apoio no primeiro dia de caminhada; às minhas filhas, pelo acompanhamento no primeiro dia e, principalmente, por gostarem de estar ao lado da mãe (“vã lá atão…”); à Antónia Gagueija, por várias vezes me ter falado da caminhada a pé para Fátima, pelo grande incentivo e pela companhia que foi; à Vera Coelho, Vera Batista e João Fernandes, por serem verdadeiros colegas de caminhada; aos carros de apoio, Armando Gagueija e João Coelho; e à companhia mais doce das “meninas”, Maria Inês Gagueija e Viviana Coelho.

OBRIGADA, de coração, por esta prova de superação, emoção e celebração de Fé!

Sem dúvida, uma experiência a repetir, as vezes que me forem possíveis…

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quando o céu de Coruche adia as estrelas de fogo

Escrevo estas linhas num verão marcado por um calor extremo e por incêndios devastadores que assolam vários pontos do país. Vivemos dias de alerta máximo, e é neste contexto que se aproximam, a passos largos, as tradicionais e mais sonantes Festas de Coruche, em honra da nossa Padroeira, Nossa Senhora do Castelo. Festas de alma antiga, que conhecem o compasso do tambor e o perfume das ruas cheias. Este ano, a realidade impôs mudanças. Com o risco extremo de incêndio, todas as atividades que possam originar faíscas ou focos de incêndio estão expressamente proibidas. Isso significa que algo inédito irá acontecer — pelo menos para mim que, desde que me conheço por gente e desde que acompanho estas festas — o célebre e majestoso fogo de artifício não se realizará no habitual dia 14 de agosto, cuja noite não se vestirá de luzes a estalar no céu.   O fogo de artifício, aquele que desde sempre coroou a festa com um abraço de faíscas e cor, ficará guardado mais um dia, respeitando o silênc...

O sol que nasceu depois da tempestade

Há datas que não nos dizem nada, mas há outras que não são apenas mais um dia no calendário. Há datas que são muito especiais e que são marcos de uma transformação profunda nas nossas vidas.  Hoje, a minha Maria Beatriz celebra mais um ano de vida e, ao olhar para trás, é impossível não recordar o caminho que percorremos até aqui. Dizem que depois da tempestade vem a bonança, mas para nós, a bonança trouxe um nome, um sorriso e uma força contagiante. Ver a Bia crescer, com toda a sua doçura, a sua "teimosia" tão própria e essa personalidade que se afirma a cada dia, é o maior privilégio da minha vida, da nossa vida, da nossa família. Este poema que partilho hoje com vocês é mais do que um conjunto de versos, é o meu coração entregue à folha de papel. É uma homenagem à bebé que vi nascer e à mulher que vejo florescer. Parabéns, "minha" Bia! Depois da tempestade Vem a bonança E tu, meu Amor Vieste mostrar-nos o caminho da felicidade Encher os nossos corações de Espera...

Memórias da Nacional 2 – parte I

Hoje estou aqui para partilhar convosco a nossa experiência pela Nacional 2, de moto, decorrida no ano de 2023. Muitos de vós sonham em percorrer a “mítica” N2, outros possivelmente já o fizeram. E existem inúmeras possibilidades de planear esta viagem e de a concretizar. No nosso caso, meu e do meu marido, optamos por ir só os 2. E como moramos relativamente perto, optamos por começar esta aventura partindo da localidade de Mora e seguir rumo ao norte, até ao quilómetro zero, em Chaves. Com a preparação da viagem não perdemos muito tempo, não foi muito meticulosa, mas, obviamente que, antes de iniciarmos uma viagem como esta, há que verificar se está tudo bem, se tudo está em conformidade relativamente à moto (pneus, travões, luzes combustível…), para podermos viajar em segurança. Escolhemos uma ou duas mudas de roupa essenciais e práticas, produtos de higiene e documentos, casaco motard e capacete e… bora lá partir à aventura! Em Mora iniciamos a aventura pela N2, depois da foto da p...