Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Dia da Espiga - Quinta-feira da Ascensão

Quarenta dias após a Páscoa celebra-se a Quinta-feira da Ascensão , mais conhecida como o Dia da Espiga. Segundo a tradição, este era um dia dedicado à celebração das primeiras colheitas, como forma de agradecimento pela quantidade e qualidade das mesmas. Com a expansão do Cristianismo, esta tradição ganhou ainda mais expressão, tornando-se também numa celebração católica — a Festa da Ascensão. Ainda hoje, em algumas localidades, este dia é feriado municipal e há até serviços públicos que encerram durante a tarde. No Dia da Espiga é tradição as pessoas irem ao campo apanhar as plantas que compõem o conhecido ramo da espiga, um ramo carregado de simbolismo e significado. O ramo é tradicionalmente constituído por: • Espigas – podem ser de trigo, centeio, aveia ou outro cereal. Devem estar sempre em número ímpar e simbolizam o pão, o sustento da família e a fecundidade. • Papoilas vermelhas – representam o Amor e a Vida. • Malmequeres – simbolizam a riqueza e os bens terrenos. O branco...

A Fé que nos Move

Ao longo da minha ainda curta vida, chegando aos meses de abril e maio, sempre ouvi falar de grupos de pessoas que se juntavam para caminhar a pé até Fátima. Os motivos eram vários: por promessa, pelo companheirismo, pelo convívio e pela partilha que se vive e, principalmente, por Fé. Uma das grandes questões apontadas quando este tema era abordado no seio familiar, por ser um desafio que requer sacrifício e resiliência, era precisamente o tipo de promessa que podemos ou temos de fazer em horas de aflição e se seremos realmente capazes de a concretizar. Fui crescendo, ouvindo partilhas de experiências de pessoas que regularmente, ou em algum momento das suas vidas, conseguiram concretizar o desafio de fazer a peregrinação a Fátima e, a verdade é que, sabendo que é um desafio duro e difícil, nunca fechei a porta a essa possibilidade na minha mente. A realidade é que, mediante a convivência regular com pessoas amigas que todos os anos fazem peregrinação, a ideia, a vontade e o desejo de ...

Onde Ficam os Que Ficam

Hoje partilho um momento que me é particularmente especial. O poema “Onde Ficam os Que Ficam” foi selecionado para integrar a coletânea Todo o Sal do Mar (vol. II), da Editora Cordel D’ Prata, no âmbito das Jornadas da Poesia 2026. Este poema nasce de um olhar atento sobre o interior de Portugal e não apenas sobre um lugar geográfico, mas como espaço de memória, pertença e resistência. Fala das aldeias que se vão ficando vazias, dos silêncios que crescem onde antes havia vida e das pessoas que, apesar de tudo, escolhem ficar. É um poema sobre ausência, mas também sobre permanência. Sobre o que parte e, sobretudo, sobre o que resiste. Escrevê-lo foi uma forma de dar voz a realidades que, muitas vezes, não chegam às primeiras páginas, mas que existem, persistem e moldam quem somos enquanto país. Ver este texto publicado, lado a lado com outros autores, é uma honra e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade. A de continuar a colocar na escrita aquilo que nos identifica, que nos distingue, no...

O sol que nasceu depois da tempestade

Há datas que não nos dizem nada, mas há outras que não são apenas mais um dia no calendário. Há datas que são muito especiais e que são marcos de uma transformação profunda nas nossas vidas.  Hoje, a minha Maria Beatriz celebra mais um ano de vida e, ao olhar para trás, é impossível não recordar o caminho que percorremos até aqui. Dizem que depois da tempestade vem a bonança, mas para nós, a bonança trouxe um nome, um sorriso e uma força contagiante. Ver a Bia crescer, com toda a sua doçura, a sua "teimosia" tão própria e essa personalidade que se afirma a cada dia, é o maior privilégio da minha vida, da nossa vida, da nossa família. Este poema que partilho hoje com vocês é mais do que um conjunto de versos, é o meu coração entregue à folha de papel. É uma homenagem à bebé que vi nascer e à mulher que vejo florescer. Parabéns, "minha" Bia! Depois da tempestade Vem a bonança E tu, meu Amor Vieste mostrar-nos o caminho da felicidade Encher os nossos corações de Espera...

Os pais que conheço

Crescemos a achar que os pais sabem tudo. Só mais tarde percebemos o quanto aprenderam enquanto nos ensinavam. Ser pai não é um título que se dá, é um caminho que se faz todos os dias. É estar lá, mesmo quando se está cansado. É ser força quando é preciso, mas também saber ser colo. É aquele equilíbrio difícil entre proteger e deixar crescer, entre ensinar e aprender também. Os pais que conheço não são perfeitos. Nem precisam de ser. São homens que trabalham, que erram, que tentam fazer melhor no dia seguinte. São presença nos momentos importantes, mas também nos pequenos gestos, aqueles que muitas vezes passam despercebidos, mas que ficam para sempre. Lembro-me de um pai que, depois de um dia inteiro de trabalho, chegava a casa já cansado, mas nunca se sentava sem primeiro perguntar: “Então, como correu o teu dia?”. Podia não ter todas as respostas, mas estava lá, sempre. E às vezes, é isso que mais fica. E há outro, que nunca foi de muitas palavras. Não dizia “tenho orgulho em ti”, m...

Livre é a borboleta

Acredito, como refere Saint-Exupéry, que " quem passa por nós não vai só, deixa um pouco de si e leva um pouco de nós ". É com este espírito que eu espero e desejo que alguém que foi especial para mim, em contexto de trabalho, siga o seu caminho. Que da minha parte tenha levado o melhor de mim, enquanto pessoa e profissional, que tenha absorvido um pouco da minha experiência de quase duas mãos cheias de anos a trabalhar na área da educação e formação de adultos. Vários foram, e são, os colegas com quem já trabalhei, e trabalho, e cada um é especial à sua maneira, principalmente os que ficam cá dentro, no lado esquerdo do peito, mas a menina mulher com quem tive o privilégio de trabalhar durante quase quatro anos foi, sem dúvida especial, foi como uma "filha", a minha segunda Maria Beatriz. De espírito leve e alegria sem igual que a minha rabugice teimava em não aceitar, desejo que tenha tudo de bom, tal como, ou mais, o poema descreve. Livre é a borboleta que no céu...

Carnaval de Sempre

O Carnaval é, por tradição, um tempo de alegria, criatividade e liberdade. Na Erra, o desfile organizado pela Comissão de Festas da Erra 25/26 foi exemplo disso mesmo: comunidade unida, fantasias coloridas, música e sorrisos a encher as ruas. Mais do que um evento festivo, foi a afirmação de um espírito coletivo que resiste ao tempo e às dificuldades. Este ano, porém, nem todas as localidades puderam celebrar da mesma forma. Em muitas zonas do país, os desfiles foram cancelados devido ao temporal que se fez sentir, lembrando-nos que a natureza também dita o ritmo das nossas tradições. Ainda assim, o Carnaval não se resume aos grandes corsos ou aos carros alegóricos. Nas zonas mais rurais e marcadamente tradicionais, a festa sempre viveu de forma mais espontânea e genuína. Recordam-se as “caqueiradas”, as brincadeiras típicas em que vizinhos e amigos pregavam partidas saudáveis uns aos outros, e o chamado Carnaval trapalhão, feito de improviso, máscaras simples e muita boa disposição. ...